quarta-feira, 15 de abril de 2009

O Morro dos Ventos ........da Paraíba

Como aposentado passo um bom tempo do meu dia em frente a um computador. Atualmente, o que mais leio são listas de sugestões. Dez lugares para pescar, vinte prais para nadar, não sei quantos vinhos para degustar, as dez camisas de times de futebol mais bonitas e os melhores carros.
Existem listas e mais listas que sugerem qualquer assunto. Mais ainda, existem livros apenas com palpites e sugestões.
Quero sugerir duas coisas. Apenas duas, garantindo a qualidade.
A primeira é : Assistir ao filme O MORRO DOS VENTOS UIVANTES.
O livro foi escrito em 1827 por uma inglesa de nome Emily Bronte, que usou um pseudônimo masculino para publicar o romance.
A primeira reação dos ingleses foi de rejeição.
Em 1939 Willian Wyler dirigiu a primeira versão no cinema do romance ( atualmente já são quatro) e recebeu vários elogios, entre tantos, diziam:" È uma história de amor cruel e apaixonante.È mais paixão além da morte. È a mais bela, enigmática e mais violenta história de amor da literatura."
Não deixe de ver o filme.
A segunda é : Leia algo de ERNANI SÁTYRO.
Ernani Ayres Sátyro e Sousa , já falecido, nasceu em Patos na Paraíba e entre outras coisas foi político, Prefeito da Capital da Paraíba, Deputado Estadual, Deputado Federal, Chefe de Polícia, Ministro do Superior Tribunal Militar e, considerado pelos paraibanos como o melhor Governador de seu Estado.
Tratava todos do mesmo jeito simples, chamando-os por "amigão". O estádio de futebol de Campina Grande tem o seu nome( Estádio Ernani Sátyro), sendo carinhosamente chamado de Amigão.
Meu médico Urologista Dr. Saulo Ferreira Pimentel, paraibano, residente em Brasília desde 1980, já contou-me histórias e mais histórias do "Amigão", sempre frisando que formou-se em Medicina pela grande ajuda dada por ele.
Em 1954 Ernani Sátyro estreou como escritor. Sua obra é extensa. Sugiro como leitura seus contos e romances.
Dona Antonietta Sátyro sua querida esposa, também já falecida, recebeu de presente os versos abaixo, com o título de COMPANHEIRA :
"Aos ventos entreguei as minhas ânsias;
Os ventos passaram, as ânsias ficaram.
Aos mares entreguei as esperanças,
Que pelo menos nas cores são iguais:
As esperanças os mares as tragaram.
Aos pássaros entreguei meu canto:
Eles cantaram, mas não meu canto,
E sim o deles.
Aos filhos confiei os compromissos:
Eles disseram que já tinham os seus.
Falei aos netos:
Eles responderam
Que bastava o que os pais já lhes diziam.
Falei a meus amigos:
Tornaram-se inimigos.
Falei ao mundo:
O mundo se fechou.
Ficou só a companheira, que me disse :
- Vamos, nós ainda temos força !"
O morro dos Ventos ...... da Paraíba é dedicado as duas mulheres de milha vida.
O filme para Márcia e o poema para Tica, ambas,pelos momentos ruins que vivemos e superamos nos dois últimos anos.
Brasília-DF, 15 de abril de 2009
Pedro Bernardes

segunda-feira, 13 de abril de 2009

A televisão e o jornal

Quando da invenção da televisão, um crítico assim a definiu:-È impossível esse invento dar certo.Ninguem em perfeito estado ficará sentado vendo coisas em uma caixa.
- Qual o idiota que ficará segurando um pedaço de papel , manchando a mão de tinta e ainda, lendo notícias da semana passada? - Foi um dos primeiros comentários do 1º jornal semanal dos EUA.
Ambos estavam completamente errados.
O presente blog partiu de um comentário do neto mais velho de Dona Pepicha, e após quase dois anos, hoje se realiza.
Como não sou pessoa de guardar segredos aqui vai o primeiro que vou revelar: - Adoro meus ídolos. Com certeza eu deveria ter sido um deles, pois por eles tenho total admiração.
Daniel Filho é um deles.
Para quem não sabe Daniel Filho é o maior nome da televisão brasileira de todos os tempos. Perfeito na direção, ótimo ator, criou programas que marcaram época e tornou a rede Globo uma das cinco mais poderosas do mundo. È sem dúvida um gênio.Invejável.
Sérgio Cabral é outro ídolo.
Para quem não sabe Sérgio Cabral é jornalista, escritor, critico de música e um dos fundadores do jornal " O Pasquim" nos anos 60. È pai do atual governador do Rio de Janeiro e como a maioria de meus antepassados, torcedor doente do Vasco da Gama. Sem saber, Sérgio Cabral ensinou-me o gosto de ler jornal, apesar de nos anos 60 ainda um pouco jovem, não entendia muitoo seus artigos de "esquerda" mas a admiração por Cabral é grande até hoje. È meu ídolo.
Em outubro de 2008 assistindo o Canal Brasil(Net-canal 66), em dias diferentes , tive o privilégio de ver os dois serem entrevistados, em programas distintos. Minha alegria só não foi maior porque as lágrimas não deixaram.
A reporter questionava Daniel Filho o tempo todo, o fato de ter sido o " todo poderoso da rede Globo" e hoje trabalhar apenas como diretor de cinema.
E ele respondia: Hoje estou muito feliz, acabei de fazer recentemente o filme Se eu fosse você-2, e sinto-me completamnte realizado.
A reporter indignada insistiu: - Como realizado? O ex- poderoso da TV Brasileira nesta pequena produtora está completamente realizado?
Novamente a resposta foi afirmativa.
Mas como? Indagou pela 3ª vez a repórter. - Ai veio a resposta final. - Já fiz muita coisa na vida e principalmente na TV, coisas que marcaram época, sem modéstia nenhuma. Meu ultimo filme é sucesso absoluto de bilheteria. Estou realizado. Não precisa ter dó de mim. Hojé as coisas mais importantes na minha vida são brincar com meus netos e assistir vídeos musicais antigos no you tube.Hoje isso é o que interessa. Hoje isso é o que me realiza.
Num outro programa a repórter queria saber de Sérgio Cabral, jornalista, critico musical, escritor de biografias de famosos sambistas, comentarista esportivo e ex- preso político qual sua ocupação atual.
Eis a resposta: - Atualamente o Cabral mais famoso da família é o Governador do Rio, eu atualmente ocupo-me de curtir netos.
- Curtir netos ? È sua ocupação principal?
- Já que você não se conformou com minha resposta, vou repetir: atualmente gosto de netos.
Este 1º texto é dedicado a dois ídolos que hoje se realizam com uma coisa tão simples e tão importante ao mesmo tempo. Apenas seus netos.
Não sei quantos são nem os nomes, talver alguma se chame Elisa outro pode se chamar Samuel. Só sei que em ambos os casos a repórter parece que não entendeu o significado da importância de um Neto. Para ela, é como se dois Gênios que marcaram época se ocupassem de pouca coisa.Talvez seja culpa desta tal de "globalização" que considera os dois como ultrapassados.
Para mim vocês continuam atuais, criativos e espetaculares.
Talvez da próxima vez escreverei menos . Procurarei algum assunto com humor. Hoje precisava falar dos vovôs Daniel Filho e Sérgio Cabral. Obrigado por vocês dois existirem.
Se para você existem coisas mais importantes do que neto, mesmo que não os tenha, e ainda se considera produtivo, criativo, atual, comece a realizar coisas pequenas que realmente têm muito valor. Assista aos filmes de Daniel Filho, assista no you tube algum vídeo musical de seu tempo. Leia um artigo de Sérgio Cabral e, se puder curta seus parentes, principalmente seus netos.
Lembrese-se que o mundo é uma bola. Se fossem duas bolas seria um saco.
Brasília-DF, 13 de abril de 2009.
PEDRO BERNARDES